Nilto Maciel e Literatura – niltomaciel@uol.com.br


LIVROS (XXV)

 

  • MESA DE BAR (Quase Diário), de Caio Porfírio Carneiro. Editora Toda Prosa Ltda., São Paulo, SP, 1997.

Neste livro ha um Caio mais pessoa e doído. Talvez porque os escritos tenham nascido nessa hora em que as tardes morrem. Ou porque na mesa de um bar, cercado de gente e vozes por todos os lados, a solidão do escritor seja mais intensa do que em qualquer ilha. Ha, neste quase-diário, um Caio cronista, historiador, comentarista musical e critico literário. Há um Caio ficcionista imaginando o romance que não escrevera, um Caio contista contando histórias inéditas e um memorialista evocando amigos, parentes, amores e lugares que o tempo desfigurou. Ha ainda um Caio fazendo poesia, que em mesas de bar todo verso é livre.

 

GIRÁSSOIS DE BARRO, de Francisco Carvalho. Universidade Federal do Ceará, Casa de José de Alencar, Fortaleza, CE, 1997.

Jorge Tufic comenta: "Blocos enxutos, metáfora nova. É o que vejo e é o que há de ficar, para sempre, da poética de Francisco de Carvalho. Sua peculiaridade, seu núcleo temático cristalizam, principalmente, o testemunho daquilo que "se apaga". Vale-se da memória para reedificar os "gorjeios da alma", a ressonância dos caibros que desabam e a incandescência da nuvem que some na curva do poema. O poema que fica. A palavra que assume os abismos do semântico, a redundância do léxico e a performance do linguagem na competência do "sujeito falante", com a singularidade e a força criativa de um verdadeiro oráculo do século que mingua."

 

– POESIA INCOMPLETA, de Francisco Miguel de Moura. Fundação Cultural do Monsenhor Chaves, Teresina, PI, 1997.

Com este livro, Francisco Miguel de Moura comemora 30 anos de convivência com a poesia. Esta seleção salienta o conteúdo e a variação das formas que marcam a revolução de F. M. de Moura, na luta com a palavra, para modificar-se e melhorar o mundo. Fabio Lucas comenta: F. M. de Moura "se aproxima bem do núcleo indagador e metafísico da condição humana, mas não abandona a consciência crítica da vida social e o lado absurdo do cotidiano. Daí, certa ironia, certa descrença dos valores consagrados. E até mesmo exibe uma veia satírica que infiltra em muitas composições. Mesmo nas formas tradicionais, como o soneto, o poeta não recusa a introdução do chiste, conduzindo o grotesco como sinal da modernidade."

 

O PRAZER DA LEITURA, (Seleção de crônicas e contos, de vários autores). Editora Thesaurus, Brasília, 1997.

"A obra que irão ler conta com textos e autores da melhor qualidade, como se pode perceber facilmente", diz Branca Bakaj, ressaltando a capacidade criativa de cada um, em suas vivências e seu sonhos, através de textos poéticos, bem como dramáticos, alem da presença do fantástico e do alegórico.

Os autores selecionados para esta obra de cunho didático são os seguintes: Affonso Heliodoro, Afonso Ligório, Aldo Magalhães, Lírio Silva, Anderson Braga Horta, Branca Maria Guimarães, Claudia Barbosa, Claudia Coutinho, Danilo Gomes, Emanuel Medeiros Vieira, Jacinto Guerra, Joanyr de Oliveira, Joilson Portocalvo, Lourdes Souza Resende, Napoleão Valadares, Nilce Coutinho, Nilto Maciel, Regina Stella, Ronaldo Cagiano, Sávia Dumond, Estela Maris Rezende, Tadeu de Araújo Teixeira, Vicente Sá, Wilson Pereira e Zita de Andrade Lima. Os organizadores da obra Jacinto Guerra, Nilce Coutinho, Ronaldo Cagiano e Claudia Barbosa

 

  • A QUESTÃO DO PRE-MODERNISMO NA LITERATURA PORTUGUESA, de João Ferreira. Brasília: Editora da UnB, 1996.

Com sua peculiar elegância estilística, João Ferreira traz a público, em bela apresentação gráfica, um novo livro de ensaio: A Questão do Pré-Modernismo na Literatura Portuguesa. Trata-se de um mergulho do pesquisador nas fontes e matrizes da literatura portuguesa a partir da década de 1870, concebido dentro de uma visão que enriquece a compreensão dos rumos das correntes literárias, acrescentando novos dados para a sua interpretação. Uma leitura, obrigatória, não só para professores e estudantes universitários, para os quais este livro foi inicialmente preparado, mas principalmente para os amantes da Literatura. (JCT)



Escrito por Nilto Maciel às 15h13
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LAMENTAÇÃO AO JÓ(ELHO)

Nilto Maciel

 

Ai, meu joelho preferido,

como eu queria ser você,

pra descansar durante um mês

e me sentir o bem-querido.

 

O mais querido das mulheres

ou das muletas, das mulatas.

Como eu queria ver talheres

em vez do fórum e suas batas.

 

Ai, meu joelho maltratado

pelas andanças e as peladas,

como eu queria diplomado

já me sentir e diplomata.

 

Eu preferia, joelhinho,

viver na Bósnia, se já fosse

embaixador – com queijo e vinho –

em vez de aqui viver na doce

vidinha nesta oitava vara

– carimbos, autos, petições,

parafernália, tudo para

me dar suores e aflições.



Escrito por Nilto Maciel às 15h12
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LIVROS (XXIV)

AMOR: POLDRO QUE SE DOMA (FOGO DE OUTRA CHAMA) e DÉCIMA QUARTA ESTAÇÃO, peças de Miguel Jorge. Editora Kelps, Goiânia, GO, 1997.

Nas abas do livro, Moema de Castro e Silva Olival escreveu: "A linguagem poética, narrativa e teatral de Miguel Jorge é estrutura eivada de tensão e magia. A dinamicidade imagética que ela provoca decorre de uma rigorosa busca de palavra "certa", de palavra "gume", do signo plurívoco capaz de operar montagens transfiguradoras, responsáveis pela sua "energia" como células de tensão. Versátil – escritor, poeta, crítico de arte e dramaturgo – Miguel Jorge não conhece limites no seu processo de criação. Não refuga temas, não separa gêneros. Nele, prosa e poesia se fundem. Sua técnica literária é marcada pelas inovações que a visão moderna imprimiu aos demais campos da criação artística, como o das artes plásticas e do cinema.

 

BESTIÁRIO LÍRICO, de Antonio Carlos Osório. Editora Unipron, Porto Alegre, RS, 1997.

No dizer de Armindo Trevisan, este "É um livro de uma excepcional delicadeza de percepção da vida e das coisas. Que sutileza a do desvendamento e analise dos sentimentos, atribuídos aos bichos, os quais, à sombra do eu do autor, se transformam em imagens e semelhanças dos homens! Antonio Carlos Osório consegue criar um estilo, cheio de graça, onde o coloquial e o familiar se transfiguram à luz de toques de erudição e filosofia. Ou, simplesmente, de uma ironia que se agacha para ser mais certeira, ou se perde nas brumas do "véu diáfano da fantasia". 0 Bestiário é uma obra-prima de poesia e observação, de doçura e lucidez. Uma pequena obra-prima de ternura!"

 

O CASTELO DO MEDO ALUCINANTE e outros episódios nas fronteiras da realidade, de Mario Jorge Lailla Vargas. Associação de Novos Escritores de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, MS, 1993.

Os contos deste livro foram escritos entre 1984 c 1992. Segundo o autor, são contos "de gênero variando do satírico ao fantástico, do lírico ao aterrador". Os títulos dos contos são bastante singulares, como "A máquina de continuar estórias", "As estórias que se perderam", "A expedição dos poetas", "Os livros senis" e outros.

 

ADOLFO CAMINHA (Vida e Obra), de Sânzio de Azevedo. Universidade Federal do Ceará, Casa de José de Alencar, Fortaleza, CE, 1997.

Nas abas do livro informa Virgílio Maia: "Ocupante, na mais que centenária Academia Cearense de Letras, da Cadeira nº 1, que tem como Patrono o escritor Adolfo Caminha, o poeta, crítico e ensaísta Sânzio de Azevedo, a quem já tanto deve a Literatura Cearense, põe agora às mãos dos leitores e estudiosos esta biografia do autor de A normalista, a qual, até onde sei e tenho notícia, é a primeira que se edita, não cabendo, aqui compará-la a escorços biográficos alhures publicados.

 

– DUAS MULHERES DE TERRAMOR, de Rodrigues Marques.

Opina Ascendino Leite: "Sempre admirei em Rodrigues Marques o empenho cada vez mais forte de criar na literatura a expressão artística adequada a melhor definir os estados de vida e de consciência humanas de que tanto nos ressentimos. O novelista e contista – o narrador, em suma, com a autoridade dos livros anteriores – voltou, em Duas Mulheres de Terramor, no seu mais avançado impulso."



Escrito por Nilto Maciel às 15h49
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PEQUENO ÁLBUM HUMANO

Nilto Maciel

 

Eram sete burocratas,

cada um com seus defeitos:

da loucura mais comum

à virtude mais humana.

A mais sábia se julgava

dona de terras do Norte,

aviadora dos ares,

quando perdia a razão.

O mais sábio só sabia

ler conselhos hinduístas,

como fugir da riqueza

sem deixar de ser mesquinho.

O mais bronco se dizia

um leitor do bom francês,

apesar de não passar

de um coitado détraqué.

A segunda das mulheres

não passava sem garrafa,

sobretudo de aguardente,

seu café, seu leite puro.

A mais velha se vestia

como as mocinhas da moda,

apesar de ter cinqüenta,

se não fosse bisavó.

O mais gordo se cobria

de boné de guerrilheiro,

por não ter nenhum cabelo

na cabeça de barrão.

O mais novo não sabia

escrever coisa nenhuma:

a palavra mais pequena

escrevia com dois erros.



Escrito por Nilto Maciel às 15h47
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