Nilto Maciel e Literatura – niltomaciel@uol.com.br


IMAGENS

Nilto Maciel

 

Eu olhava para a Lua

e via São Jorge

e um dragão em luta.

Faz tanto tempo aquilo

que ate penso

ser nova a lua de agora.

 

Olho de novo para o céu.

Ha nuvens, muitas nuvens,

como se fosse desabar

uma tempestade.

E faz frio, muito frio,

ao meu redor.

 

É como se a lua fosse

uma imagem

dentro de outra imagem.

E eu a imagem

da grande imagem

de mim mesmo.

 



Escrito por Nilto Maciel às 13h36
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O CIRCO

Conto de Eduardo Siqueira

  

Noite de circo na cidade. Multidão cinzenta nas arquibancadas. Reeeeespeiiiiiitávellllll públicoooo! O macaquinho dança rumba com o leão. O elefante planta bananeira. O trapezista cai de boca no paraíso. Mas o palhaço. Com a maquiagem que ria, brincou, pulou, dançou no picadeiro. Pontapé na bunda de um. Piparote no nariz de outro. Arranca um terremoto de aplausos. O espetáculo acabou. Todos se foram. O palhaço, sozinho. Madrugada de lua minguante. O som dos passos caminhando pelos paralelepípedos da rua deserta. Parou num bar. E se matou na cachaça.

 



Escrito por Nilto Maciel às 13h35
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VIGÍLIA

Nilto Maciel

 

A eterna mulher habita-me a cama

e se enrosca em minha solidão,

quando as quatro patas

chafurdam na lama

da escuridão.

 

Outra mulher, estranha, alheia,

navega-me a cama

e me encanta a rota,

quando os ventos sopram

na madrugada.

 

Mulheres sempre perdidas

enchem-me de gemidos a cama

e me saciam os ouvidos

quando volto da guerra

coberto de feridas.

 

O telhado da noite desaba

sobre essa eterna cama,

quando quero dormir

e a tempestade me colhe.

 



Escrito por Nilto Maciel às 15h47
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Jovita Feitosa

Nilze Costa e Silva

 

Jovita Feitosa - Aberto o voluntariado para a guerra do Paraguai em 1865, uma jovem cearense de apenas 17 anos chamada Jovita Feitosa nascida nos Inhamuns, utilizando vestes masculinos e cabelos de homem, se apresentou no Piauí , precisamente em sua Capital Teresina. Descoberta sua identidade, mesmo assim seguiu no batalhão "Voluntários da Pátria" pra o Rio de Janeiro, onde receberiam o treinamento para os combates. Jovita treinava com fardamento especial - saiote e túnica mais apropriada aos contornos femininos. Contudo, na corte não lhe permitiram ir a guerra. Jovita foi vetada sob argumentos militaristas. Ela não voltou ao Ceará. Permaneceu na capital carioca após meses gloriosos, de homenagens e aplausos que se acostumou. Apaixonou-se por um oficial do exército, que a rejeitou. Com desgosto, Jovita Feitosa foi definhando, absolutamente infelicitada pelo veto às suas pretensões de defender a Pátria  como soldado e ao seu amor, que dizem ter sido o primeiro. Segundo uns, suicidou-se com uma punhalada no peito.

 



Escrito por Nilto Maciel às 15h46
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Para Jovita Feitosa

Nilze Costa e Silva

 

Jovita tinha um sonho

cortou os cabelos

vestiu-se de homem

e foi guerrear

 

Queria ser Joana D’arc

doar a fêmea indomável

às tropas guerreiras

que serviam a Pátria

 

Jovita, ardia me pensamentos

Queria voar, queria viver

entrar no exército

e seguir seu oficio de feiticeira

 

Pobre Jovita...

caiu do cavalo,

caiu do seu sonho

foi descoberta...

Chorou um mar inteiro

Morreu de tristeza

Jovita Feitosa

tão ditosa!

semblante faceiro

morrer-se de amor assim

por outro guerreiro...



Escrito por Nilto Maciel às 15h44
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INSÔNIA

Nilto Maciel

 

Foge, demônio secular, maldito,

deixa dormir serenamente e só

este menino de ilusões refeito,

deixa-o sonhar seus anjos coloridos.

 

Pela janela deste quarto foge,

invade a noite e seu silêncio breve,

e esquece este menino sonhador,

que se deitou para sonhar comigo.

 

Arreda, pois este inocente ser

feito de fantasia é bem capaz

de te domar, de te fazer dormir.

 

É bem capaz de transformar-te, e já,

num anjo bom, numa mulher, talvez,

e se perder contigo em sonhos maus.



Escrito por Nilto Maciel às 14h35
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No canto, contido

Clauder Arcanjo

Na beira da estrada solteira,
cabelos lisos, sem riso.
Em meio às pedras toscas,
a regalia de um desvario.
À leira do cântico, em estilo,
os versos a escorrerem da boca.
Dentes a mastigar o uivo
da aurora, amistosa, a lhe fazer
em lobo. No canto, contido.

Macaé-RJ, 23/02/2007

 



Escrito por Nilto Maciel às 14h33
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