Nilto Maciel e Literatura – niltomaciel@uol.com.br


Amor

Pedro Du Bois

 

Ao amor, como ao pássaro, ao caminhar

junto às águas, ao prender os cabelos

da mulher com gestos de amizade,

cabe sensações de arrebatamento

 

estar em algum lugar e encontrar

o sentido de estar presente: não a necessidade

que se utiliza de artimanhas

para nos manter vivos, não a lealdade

que nos conduz à unicidade dos caminhos

 

não a felicidade que é predisposta

ao encurvamento: o arrebatamento

de não haver sentido quando a vida

se resume em estarmos juntos.

/////



Escrito por Nilto Maciel às 21h11
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Livros recebidos

Como já disse, recebo livros diariamente. São enviados por algumas editoras que me veem como divulgador (já o fui) e por escritores (amigos, conhecidos ou não) que querem opinião (elogio) e acreditam na força dela. Na verdade, pouco leio. Ora por falta de tempo, ora por fastio de ler. Meu tempo eu o gasto a ler e responder mensagens, a buscar novidades literárias (não sei para que), a rabiscar uns contos que nunca serão lidos, a me iludir com isso e aquilo. Além da falta de tempo, a preguiça de ler mediocridades. Cada poema ou conto que tento ler me causa um mal-estar sem tamanho. Dá-me vontade de me suicidar. Sinto-me humilhado, pisoteado, esbofeteado. Como se eu fosse o fundo da latrina. Nessas ocasiões, sou socorrido por Francisco Carvalho ou Moreira Campos. Leio um poema ou um conto deles e volto a ser gente.

Ontem recebi mais dois livrinhos: Trovas para refletir, de Maria Thereza Cavalheiro, e Incerto caminhar, de David de Medeiros Leite. Quem são eles? Maria nasceu em 1929, em São Paulo, e publicou alguns livros de trovas e outros tipos de poema. David é de 1966, nascido em Mossoró, RN. Escreve assim: "Gotas translúcidas/ que encantam e correm,/ mensageiras de dor e de alegria.../Cultivam vida, saudades e amores." O livro foi premiado em Espanha. A poetisa elabora versos desse tipo: "A vida inteira é disputa;/ enfrenta o temor e vence-o./ Mas lembra: só ganha a luta / quem sabe guardar silêncio."

Não pensem que estou ou sou amargo. Talvez esteja perdendo a visão. Ou a vontade de ver beleza até em reflexões antigas. Se me fizessem o favor de me deixar em paz...

/////

 



Escrito por Nilto Maciel às 16h12
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