Nilto Maciel e Literatura – niltomaciel@uol.com.br


SONETO

Ailton Maciel*

Et le voyant pleurer, je m'écriai:  

                     Jeunne, homme,

Porquoi venir si triste en ce joyeux séjour?        

Dis-moi pour te calmer le nom dont on te nomme!

Il me dit doucement: Je m’appelle l’amour.

                         Maurice Rostand.

 

 

Numa noite calma de algidez cortante,

de tétricas visagens a vagar,

passava assobiando um viandante      

entre insetos noctívolos a voar!  

 

De repente... parou por um instante

e, tácito, ficou a meditar:

“Pra onde irei em passo ofegante,

“Se não tenho um casebre onde pousar!?

 

 “Pra onde irei? Todos me querem um dia,

“depois me deixam assim sem pousadia,

“à procura de um lar sempre a errar?”

 

...E saiu a correr o viajor.

O seu nome reluzente era amor,

meu coração, coitado, era o seu lar.

 

Fortaleza, 14/2/65

*Ailton Maciel deixou alguns inéditos. Ailton Alves Maciel (nome completo) nasceu em Baturité, Ceará, em 7 de março de 1943. Em vida nada publicou, embora tenha escrito inúmeros poemas, romances e contos. Sua obra mais importante desapareceu. Talvez no incêndio doméstico que quase o matou, em Brasília, onde foi viver (e morrer) no início dos anos 1970. Sua morte clínica se deu no dia 22 de outubro de 1974. Apenas quatro contos se salvaram: "Santa Caçada", "O Touro", "O Careca" e "O Presente da Professora", publicado na revista Literatura n.º 24, de 2003. Outros onze fragmentos encontrados podem ser de contos e romances.

 /////



Escrito por Nilto Maciel às 12h35
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