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(Outros) versos marinhos
Silmar Bohrer Estes ventos friozinhos que gemem ali nos beirais são coitados, coitadinhos dos diabinhos hibernais. Em lentárgica agonia pela intempérie urdidas andam gaivotas perdidas nestas tardes de invernia. Tem tido sido inesgotável essa fonte dos meus versos, são petitas dos universos e u'a companhia saudável. Devia ser cá na praia perante o meu céu anil, receber a trova sete mil louvando a essência gaia. Ventos, oh dóceis ventinhos, ventilai o meu pensar, céus, oh céus azuladinhos, inspirai meu versejar. E converso com as musas varando as madrugadas, rimas tantas, profusas, rimas tantas, orvalhadas. Anda uma paz de éden cá na beira dos meus mares, e os ventos, bons ventares em sonares se medem. Uma trova varonil se não fosse singular, é que estou a registrar a filhotinha sete mil. Caem as noites cá na praia, sopram ventos desgarrados, anoiteceres alumiados, tanta estrela na tocaia. Ando ao sabor dos ventinhos pelo látego dos mares e vejo tantos avatares por estes velhos caminhos. /////
Escrito por Nilto Maciel às 10h14
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Literatura
Teresinka Pereira Ponta farpada de ideias afilado punhal de fogo em nossas entranhas, ausência de tudo e silêncio fúnebre, culpando a própria memória Mas a Literatura aparece para revolucionar o interior e o pensamento, e libera o ser da angústia, e põe em tensão o desejo re-inventando a vida. /////
Escrito por Nilto Maciel às 10h41
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Saramago
Pedro Du Bois Estar em Saramago como quem vai para destino mais rico. Pesado, mas não gongórico.
Folhas e folhas além da simples leitura. O cativar dos prazeres em palavras trechos e parágrafos.
Parágrafos longos sem favores. Mais do que ler, gostar da sua companhia. Traduzir-se em suas ideias.
Ser mago sem ser amargo: Saramago.
(Pedro Du Bois, AS PESSOAS NOMINADAS) /////
Escrito por Nilto Maciel às 19h04
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Ração humana
Ronaldo Monte Já não bastava terem transformado nossa alimentação num problema médico. Agora, ela está sendo tratada como um assunto veterinário. Sim, pois desde que me entendo de gente, ração sempre foi uma coisa a ser dada aos animais. Já deu a ração do gado?, pergunta o dono ao vaqueiro. Já botou a ração do cachorro?, pergunta a mãe para o filho. Confesso que me assustei quando vi pela primeira vez uma referência à ração humana. A primeira imagem que me veio à cabeça foi um homem nu, de quatro, atacando sofregamente uma tigela na área de serviço de um apartamento. Sei que muita gente não presta mais atenção ao sabor daquilo que come. Qualquer coisa serve, desde que lhes encha o bucho e os mantenha em pé até o fim do dia. Tem a galera da coxinha com refrigerante e a turma da granola com linhaça dourada. Sem contar com os vegetarianos de carteirinha e os bons e velhos macrobióticos que ainda sobrevivem por aí. Talvez essas tribos não ofereçam resistência à tal ração humana. Felizmente, ainda tem gente, como eu, que permanece adepta de uma boa refeição. Mesmo que se pegue leve durante a semana, com uns grelhados sóbrios, modestas saladas e pouca carne vermelha, a mesa toma outras cores entre o jantar da sexta e o almoço do domingo.
Nesse intervalo vale umas massas, peixadas ao coco, filés ao molho madeira, feijoadas, favadas, siris, caranguejos e muito camarão. Sem falar nos mais diversos acompanhamentos líquidos, que devem ir do aperitivo ao digestivo sem queimar nenhuma estação. Desde o jantar íntimo das sextas, até as ruidosas mesas dos sábados, são os pratos feitos com amor e arte que promovem a confraternização entre nós, os comensais. É certo que a língua não perdoa e já chamou nossa comida de repasto e antepasto. Mas ainda assim, pastar é comer livremente, provando aqui e ali dos vários capins, como os bois e os carneiros. Comer ração é se alimentar insossa e apressadamente, como os cachorros neuróticos dos apartamentos.
Visite meus blogs: blog-do-rona.blogspot.com.br memoriadofogo.blogspot.com.br /////
Escrito por Nilto Maciel às 13h31
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UM OLHAR PELAS IDEIAS
Tânia Du Bois Mário de Andrade, através de suas idéias e influência em diversas áreas, viu seu prestígio crescer como escritor. Ele tinha convicções fortes sobre a cultura brasileira e dedicou grande parte de sua vida a difundi-las, segundo João Gabriel de Lima. Mário divulgou suas idéias na imprensa e nos livros, e se preocupou em debatê-las com os amigos. Publicou 11 livros, em vida; 7 de prosa e 7 de poesia. Foi um dos realizadores da Semana de Arte Moderna, em 1922. José Antônio Pasta, disse que Mário foi mentor de Drummond, Bandeira e de diversos críticos literários, como Antonio Candido e Paulo Emílio Salles Gomes. Mário de Andrade foi um brasileiro que atuou, mexeu e remexeu em quase todos os campos artísticos, assumindo o papel de totem da cultura brasileira. Demonstrou, na época, que tinha muitas idéias no plano da cultura, pois: - atrás das críticas, influenciou a motivação, as pesquisas e a busca por uma identidade nacional que tornasse única as manifestações culturais; - foi mentor da escola nacionalista, que misturava música erudita com temas populares brasileiros; - na literatura, através de suas cartas, aconselhou poetas e romancistas a agregarem formas de vanguarda e a buscarem uma linguagem brasileira. “Anunciaram que você morreu / meus olhos, meus ouvidos testemunham: / A alma profunda, não. / Por isso, não sinto agora a sua falta... / Alguém perguntará em que estou pensando, / sorrirei sem dizer que em você / Profundamente...” (Manuel Bandeira) Em busca da memória, das descobertas e pela curiosidade do percurso realizado por Mário de Andrade, gosto de remexer em quem deixou algo para nós, como a preocupação pela cultura e como divulgá-la, torná-la atraente aos brasileiros. Mário de Andrade foi um dos que remexeu e deixou traços para que seguíssemos adiante com a cultura, sempre procurando com que todos se preocupassem com a qualidade e a continuidade. Segundo Antônio Olinto, “Mário de Andrade criou uma obra vasta de pesquisa e de estudo, ao lado da poesia e da ficção, porque sentia necessidade de contribuir palpavelmente para a cultura do país e de remontar as origens do Brasil”. Toda a vida de Mário de Andrade está como que refletida "num olhar pelas ideias”. Talvez não exista no plano artístico maior transposição de uma experiência pessoal, com a intensidade das suas obras. A literatura sempre esteve presente em Mário e ele a levou para o povo brasileiro, com notas, divulgações de pequeno porte, mas fortes. Deixando para nós um País com esperança a partir das suas idéias “surpreendentes” e de sua ampla atuação. É merecido o seu prestígio, mas, deixou clara a falta de autores com boas idéias e um recado para todos nós: “É preciso mudar o nosso olhar para depois mudar a realidade”. E Tele P. A. Lopes afirma que “No olhar está a ânsia e a paixão e os braços abraçam a intensidade das sensações dos sentimentos”. “Você não morreu: ausentou-se. / direi: faz tempo que ele não escreve... / Saberei que não, você ausentou-se. Para outra vida? / A vida é uma só. A sua continua. / Na vida que você viveu. / Por isso não sinto agora sua falta”. (Manuel Bandeira) /////
Escrito por Nilto Maciel às 21h20
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OS PÉS DO OVO
Pedro Du Bois No frigir dos ovos apaga o fogo e coloca a frigideira sob a água concorrente: ovos estalam frígido em ovos nevados sucede o corpo ao pecado antecipado por estar quente antes da hora. O vento ressoa portas e janelas: ovos colocados em pé. (os pés do ovo) http://pedrodubois.blogspot.com /////
Escrito por Nilto Maciel às 07h37
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Clipping Literacia
Edição II - Junho 2010 http://literaciarevistacultural.blogspot.com/ Apresentamos aos Amigos-Leitores nossa Edição de Junho, respondendo as solicitações de Temas, inaugurando novas seções, divulgando novos Autores, e publicando artigos, ensaios, críticas, prosas, poemas e projetos inovadores. I.Artigos e Críticas Affonso Romano de Sant'Anna Deonísio Silva Gabriel Perissé Nilto Maciel II.Entrevistas Belvedere Bruno entrevista Leila Mícolis III.Novos Talentos Nelson Alexandre IV.Resenhas e Sinopses A Terceira Margem Do Rio: Guimarães Rosa-Helena Sut Nocturno. O Romance De Chopin- Helena Vasconcelos Joãozito - A Infância De João Guimarães Rosa- Helena Sut V.Poemas e Prosas Amélia Pinto Pais Amina Ruthar Fabrício Brandão José Gil Lilian Maial Tanussi Cardoso Walter Cabral de Moura Sonia Regina VI.Vozes da Escola Bruno Resende Ramos-Projeto inovador:Inclusão Literária no interior de Minas As Fábulas de Denise Severgnini [sobre uma Joaninha Especial] VII.Ensaios e Teses Os Duplos em Benjamim - Abílio Pacheco Ensaio sobre Camões- Amélia Pinto Pais VIII.Contos e Crônicas Leila Jalul Cezar Ubaldo de Oliveira Araújo IX.Cine Clube Easy Rider SEM DESTINO-Lívio Oliveira X.Centro de Estudos Leitura vertical [Cassionei Niches Petry] Roteiro para resenhas literárias[ Mariana Simões] O Conto e suas Implicaturas[Maria Adélia] XI. Livraria Lançamentos A história de Chico Mendes para crianças-Fátima Reis Vinho Branco- Belvedere Bruno XII. Filosofia e Humanidades Ensaio Filosófico Sobre O Amor - Helena Vasconcelos A Existência De Deus-Monika Alves De Almeida Picanço A Utopia Política De Erich Fromm- Will Goya XIII.Concursos
XIV.Depoimentos e Notícias Palavras de Affonso Romano de Sant'anna Contato: literariarevista@gmail.com
Escrito por Nilto Maciel às 17h08
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EMIGRADOS
Emanuel Medeiros Vieira Emigrados: seremos sempre, emigrados. Em busca de outro mar, da última ilha, seguindo os pássaros, atrás do último pássaro. De um mar a outro, de uma ilha à outra ilha, e, então, dormiremos, uma noite sucedendo-se à outra. Brasília, 9 de outubro de 2008 /////
Escrito por Nilto Maciel às 08h02
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É PRECISO SER CONTIDO, ÀS VEZES
Por Nilto Maciel (www.niltomaciel.net.br) Mesmo depois da extinção da revista Literatura, os escritores não deixaram de me mandam livros. Não os leio todos, por falta de tempo. Que me desculpem os amigos e os colegas. Os mais recentes vieram de São Paulo (Daniel Lopes), Itapema, SC (Pedro Du Bois), Crato, CE (Emerson Monteiro), Brasília (Alaor Barbosa e Lustosa da Costa), Goiânia (Valdivino Braz), Mangaratiba, RJ (Emil de Castro), e Madri, Espanha (Manuel Garcia Centeno). Conheço Alaor, Valdivino, Lustosa e Emil, de longas datas. Convivi com o primeiro por muitos anos, em Brasília. O segundo é de frequentar minha casa e de me receber na sua. O terceiro é meu conterrâneo e habita também a capital federal, sem deixar de visitar a cearense de vez em quando. O quarto nunca vi, mas com ele me correspondo há cerca de 30 anos. Comecemos, pelo final da relação. Ou pelo mais longe de mim. Manuel Garcia “vive entre Madrid e Zalamea”. Nesta nasceu, em 1947. O livro que me mandou se intitula ¡Chachó! Contos curtos ou relatos (como está abaixo do título). Apenas 60 páginas. Impresso na Itália: Capri Leone, Messina, 2010. O primeiro parágrafo do primeiro relato é este: “Observé unos ojos ansiosos y sorprendidos que me miraban con fijeza tras la puerta entreabierta”. Infelizmente, não terei tempo de ler mais. Outros livros me esperam. Meus olhos estão ansiosos. Daniel Lopes achou meus blogs e me mandou uns contos. Gostei do seu modo despojado de narrar, o desapego à norma culta. Agora me mandou exemplar de seu É preciso ter um caos dentro de si para criar estrela que dança. Reunião de contos. Edição do autor, 2008. Ou do site WWW.osviralata.com.br Assim o povo brasileiro fala: não usa o substantivo no plural. Daniel também emprega palavrões, gosta de narrar (contar) e de dar voz aos personagens (não deixa para trás os travessões). Escreve como se fala. Também o gaúcho Pedro Du Bois me achou na Internet. E passou a me mandar poemas todo dia. Como é bom poeta, não deixo de publicar os poemas dele nos meus blogs. Agradecido, presenteou-me dois volumes de versos: Desnecessidades reentrâncias & alguns reingressos e Concretude da casa, ambos de 2009. Não transcreverei aqui versos dos livros. O leitor os encontrará em pedrodubois.blogspot.com O outro que não conheço é Emerson Monteiro, cearense de Lavras da Mangabeira, terra dos poetas Filgueiras Lima, Linhares Filho, Batista de Lima e Dimas Macedo. O livro recebido por mim intitula-se É domingo (João Pessoa: Edições Fabulação, 2006). Nada de versos; são crônicas e contos ou “narrativas de proveito”, como está sob o título. Agora chego aos livros dos amigos. O de Lustosa da Costa é Sobral que não esqueço (Fortaleza: Expressão Gráfica, 2010). Dito de memórias. Como quase todas as obras do jornalista. Lustosa é incansável escritor. Sempre apegado ao Ceará. Vive em Brasília desde 1974, mas não esquece Sobral nunca: “Este é mais um livro tendo Sobral, capital da civilização do couro no Ceará, que elegi como minha e como principal tema de meus escritos”. Falta algum vocábulo na frase, mas o leitor entenderá. O título da introdução do livro é “Não sou universal, sou apenas municipal”. A obra recebida de Alaor Barbosa é o romance Memórias do nego-dado Bertolino d’Abadia (Goiânia: AB Editora, 1999). Epígrafes de Camões e Shakespeare. Cerca de 300 páginas. Tem início assim: “Este texto das memórias do singularmente aventuroso e desventurado goiano de Imbaúbas Bertolino d’Abadia, anotadas pelo ilustre advogado Rafael Santoro Noronha, está guardado comigo faz muitos anos.” Lembra Cervantes? Nas abas se lê o anúncio: “Poderosa criação literária, a um tempo rica em imaginação e em verdade documental, densa narrativa,escrita em linguagem apurada, base firmíssima da sua previsível perenidade. Há muito tempo não se vê aparecer,no Brasil, um livro tão bem escrito.” É ler para conferir. Do também goiano Valdivino Braz é outro romance: O gado de Deus – Livro do Ressentimento (Goiânia: UCG/Kelps, 2009). Há semelhanças entre um e outro. Num “esclarecimento e advertência” o escritor adverte: “Fruto azedo do advento 64, este romance, sazonado entre os anos 80 e 90, inicialmente intitulado como As dores da terra antiga – agora O Gado de Deus, com outras dimensões, mantido o fulcro original –, seria o primeiro livro de uma espessa obra, desenvolvida há décadas, a espaços esporádicos, anunciada e sempre protelada, ainda por terminar, estacionada em estado caótico. Ambicioso, pretensioso, megalômano projeto”. Valdivino apareceu há alguns anos como contista (dois volumes) e poeta (dez). Como Alaor, meu amigo Braz sabe escrever. Estou perdendo o fôlego. Mas ainda posso falar do livro de Emil de Castro: Vozes do mar (Rio de Janeiro: Edições Galo Branco, 2009). São poemas. Poucos e curtos. A primeira parte tem o mesmo título do volume. Poemas sem título. A segunda é “Exercício de marujo demente”, com 17 poemas titulados. Emil tem diversos livros: poesia, ensaio, história, infantil. O primeiro, em 1969: O relógio e o sono, de versos. Se se entusiasma com o mar (a vida), consegue se conter no dizê-lo: “Vão lentos / soprados / pura paina / espuma sobre o mar. / Se perdem no longe”. Também consigo me conter ao escrever. Fortaleza, 28 de maio de 2010. /////
Escrito por Nilto Maciel às 12h50
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SITE DE NILTO MACIEL
Está no ar desde 27 de maio de 2010 o site WWW.niltomaciel.net.br Além dos livros publicados e alguns inéditos, há vídeos, como o filme “O cabra que virou bode”, entrevistas e lançamentos de livros. Alguns dos mais importantes escritores brasileiros estão presentes nos artigos, ensaios e crônicas. Assim como na fortuna crítica. E o que dizer de personagens de contos e romances? Um deles é a cara daquele poeta que há anos vive em... Outro lembra muito o autor do livro... Não se pode ser muito claro. Senão, a curiosidade desfalece. Faça uma visita de curioso e divulgue esta biblioteca virtual. Obrigado. /////
Escrito por Nilto Maciel às 09h53
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Os poetas da lua
Ronaldo Monte
Toda criança nasce poeta. Para os seus olhos, tudo é espanto, novidade. Sua leitura do mundo ainda não foi domada pela sintaxe careta da linguagem usada como moeda de troca. As circunstâncias é que podem embotar esse modo novo de ver o mundo. Felizmente, minha neta ainda não foi treinada a pensar que não se pode pegar a lua com as mãos e dar de presente à sua mãe. Mais felizmente ainda, ela não está sozinha neste modo de apreender o mundo. Algumas mães, minhas amigas, vieram me contar como o pensamente poético também habita a alma de seus filhos. Teresa Madeira me conta que sua filha Raquel, “quando era pequenininha, na rede da varanda da casa do Bessa, fez uma canção pra Lua que dizia assim: ‘A lua é tão grande, tão barrigudinha, a lua só vive no colo da nuvem’.” Vitória Lima diz que não esquece “a noite em que passeava numa praça de Maceió com meu filho e ele, se dando conta da lua nova, gritou surpreso: ‘Olha mãe, a lua rasgada no céu!’ As crianças são poetas naturais que elaboram metáforas e metonímias sem terem consciência desses processos complicados dos poetas. Para eles, tudo é poesia”, arremata Vitória, que também é poeta. Valéria Tarelho me manda um conto escrito em 2003, após seu filho Álvaro “se espantar com a lua faltando um pedaço e falar que ‘tudo bem, quando o vovô chegar ele pega a cola e conserta’." Cada um de nós carrega ainda esse antigo poeta que fomos um dia. É preciso apenas saber despertá-lo. E um bom começo é, de vez em quando, se despojar da sintaxe careta da linguagem e deixar que o mundo nos mostre novas conexões entre as coisas. A melhor forma de deixar isto acontecer é voltar a olhar para o céu nas noites de lua. Crescente, cheia ou minguante, a lua sempre encontrará um meio de nos causar espanto. Esse espanto, acredite, é pura poesia. Visite meus blogs: blog-do-rona.blogspot.com.br memoriadofogo.blogspot.com.br /////
Escrito por Nilto Maciel às 21h12
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Diversos Afins de maio
Prezado Leitor, Pelas alamedas da Literatura e da Arte, novas descobertas ganham corpo e forma. Sendo assim, a mais nova Leva da Revista Diversos Afins anuncia: - os signos poéticos expressos em Iracema Macedo, Adriana Versiani, Wladimir Cazé, Douglas Dias, Fernanda Marra e Ronaldo Araújo - uma entrevista com o cantor e compositor Lucas Santtana - traços sensíveis expostos na arte de Marco Angeli - vestígios humanos nos contos de Nelson Alexandre, Carla Luma e Claudio Parreira Muito mais em: http://diversos-afins.blogspot.com Saudações culturais, Fabrício Brandão & Leila Andrade – LEVEIROS /////
Escrito por Nilto Maciel às 19h27
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Amigos do Livro
O Portal Amigos do Livro foi inaugurado no dia 6 de outubro de 2001. Um endereço para estudo, pesquisa, divulgação e promoção do livro e do hábito da leitura.
www.amigosdolivro.com.br
Skype: amigos.do.livro Twitter: amigosdolivro | |
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Escrito por Nilto Maciel às 21h08
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Sempre
Nirton Venancio (Do blog nirtonvenancio.blogspot.com) Eu te quero com a mesma intensidade em que me guardo embora sempre no menor gesto do olhar me entrego de volta sem nunca ter partido. /////
Escrito por Nilto Maciel às 17h47
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Do tempo
Inocêncio de Melo Filho
O tempo destrói os retratos na parede
O tempo destrói as confidências nas gavetas
O tempo destrói os olhos do poeta
O tempo destrói os corpos ciosos
O tempo destrói os lençóis
O tempo destrói o vento
O tempo destrói o clamor dos homens
O tempo destrói as palavras
O tempo destrói o mar e os navios
O tempo destrói o cais
O tempo destrói o silêncio
O tempo destrói a toga da justiça
O tempo destrói a barba do profeta
O tempo destrói as vestes de Lúcifer
O tempo destrói o próprio tempo... /////
Escrito por niltomacielmaciel às 19h07 [(0) Comente] [envie esta mensagem] [link]

>12/05/2010
Caderno Cinza - março e abril
Atualizações do blog Caderno Cinza - março e abril O implacável silêncio dos deuses: Não se trata de afirmar que Alexei Bueno, saudado outrora por Ivan Junqueira como "nosso mais recente herdeiro das tradições helênicas" e por mim mesmo como um herdeiro do simbolismo, tenha renunciado a essas matrizes estéticas; elas continuam presentes em sua obra -- todo legítimo poeta se mantém fiel às suas fontes. Leia mais aqui. Soma de vivências passadas: Em cotejo com o livro anterior de Ruy Espinheira Filho, Elegia de agosto (2005), este Sob o céu de Samarcanda (2009) que chega agora às livrarias é algo surpreendente. Leia mais aqui. O poeta e o fingidor: Fernando Pessoa e "A Besta": Notoriamente interessado em ocultismo, o poeta percebeu alguns erros no horóscopo constante da biografia de Aleister Crowley; imediatamente os relatou numa carta endereçada ao ocultista inglês, que respondeu reconhecendo os equívocos apontados. Depois de uma troca de correspondências, Crowley anunciou, para surpresa do poeta, que faria uma viagem e pretendia conhecê-lo. Leia mais aqui. Cesário Verde: a poesia como experiência: Não se trata de afirmar que seja ele o criador de um lirismo radicalmente objetivo; ele é antes o criador de uma poesia que tem como motivo principal a experiência do sujeito no mundo. Leia mais aqui. Elementos de poesia: a redondilha maior, nossa conhecida: A despeito de sua marcante presença no ambiente ibérico, não se deve considerar a redondilha um verso exclusivamente peninsular: também a poesia francesa já o utilizava na Idade Média; e, se quisermos tratar comparativamente de outras tradições linguísticas, podemos pensar na chastushka russa ou no tanka japonês como formas poéticas que empregam versos de metro equivalente. Leia mais aqui. http://twitter.com/marques_samyn /////
Escrito por niltomacielmaciel às 19h49 [(0) Comente] [envie esta mensagem] [link]
Escrito por Nilto Maciel às 12h28
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